FC Porto campeão não pode ser uma ameaça ao futebol português
O espaço de opinião de Carlos Pereira Fernandes, editor de Desporto do Notícias ao Minuto. Em análise, está o título iminente do FC Porto, na sequência de uma temporada marcada por várias polémicas.

Restam poucas dúvidas de que o FC Porto vai mesmo ser o novo campeão nacional, depois de um fim de semana em que bateu o Estrela da Amadora, por 1-2, e o Sporting se ‘espalhou ao comprido’, na Vila das Aves. Melhor, só mesmo se o Benfica não tivesse goleado o Moreirense, por 4-1.
A festa pode surgir já na próxima jornada, mas, se não se concretizar, certamente surgirá na seguinte ou na outra. O título não merece qualquer tipo de discussão, numa temporada em que os eternos rivais não se cansaram de dar tiros nos pés, mas terá de merecer uma séria contemplação ao nível dos vários (e vergonhosos) episódios que a marcaram.
Um FC Porto campeão não pode servir como validação para as estratégias mesozoicas aplicadas por André Villas-Boas, que nos fizeram recuar aos mais negros períodos do futebol português, sob o risco de lá voltarmos, perante a expectável inércia de Pedro Proença, Reinaldo Teixeira e companhia.
Não pode ser uma carta em branco para passar vídeos em ‘loop’ nos balneários dos árbitros. Para esconder bolas, cones e até toalhas nos momentos mais oportunos. Para mandatar ‘stewards’ para barrar a entrada de jogadores no Estádio do Dragão. Isto, para não entrar no cheiro pestilento de outras modalidades.
Se o FC Porto faz tudo isto enquanto está na mó de cima, é caso de preocupação quanto àquilo que fizer quando estiver na de baixo. Esse dia chegará, invariavelmente, como chega a qualquer clube, pelo que urge tomas medidas para garantir que o ponto mais baixo deste tipo de ações já foi alcançado.
No mínimo, que tudo isto mereça uma consideração interna, até porque, dentro de campo, o clube nada ganhou com estes comportamentos. Ainda recentemente, o ‘circo’ montado na chegada do Sporting ao Estádio do Dragão não evitou a eliminação das meias finais da Taça de Portugal.
Antes disso, também não foi o facto de os apanha-bolas terem escondido bolas e cones, à vista de toda a gente, que impediu Luis Suárez de ter convertido, nove minutos depois dos 90, a grande penalidade que ditou um empate a uma bola, no encontro da segunda volta do campeonato nacional.
O FC Porto ganhou ao Sporting de Braga, sim, é verdade, depois de ter ‘brincado’ com a televisão de Fábio Veríssimo, ao intervalo. Mas, não só estava em vantagem, no final dos primeiros 45 minutos, como ainda sofreu um golo de Victor Gómez, instantes depois de voltar para os segundos.
Sei que disse que não valeria a pena falar de outras modalidades, mas é preciso lembrar que o (alegado) boicote ao balneário do Sporting, no Clássico de andebol, teve o condão de afastar Ricardo Costa do banco de suplentes, mas não o de impedir um desaire, em plena Dragão Arena, por 30-33.
Terá tudo isto valido a pena? A resposta parece clara, mas só André Villas-Boas a poderá dar. Suceder a Jorge Nuno Pinto da Costa, o mais titulado presidente da história do futebol mundial, tem o seu peso, mas não pode servir de justificação para que, em Portugal, volte a valer de tudo para vencer.




