Enviado de Trump pede à FIFA que substitua Irão por Itália no Mundial
Paolo Zampolli confirma que sugeriu ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, que trocasse o Irão por Itália, no Campeonato do Mundo. Financial Times diz tratar-se de uma tentativa de remendar as relações com Giorgia Meloni, depois das críticas ao Papa Leão XIV.

Paolo Zampolli, enviado especial dos Estados Unidos da América, sugeriu ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, que trocasse o Irão por Itália, no Campeonato do Mundo, por conta da guerra que o executivo liderado por Donald Trump vive com o país asiático desde o passado dia 28 de fevereiro, quando o atacou, em conjunto com Israel.
“Eu confirmo que sugeri a Trump e Infantino que a Itália substitua o Irão, no Mundial. Eu sou nativo de Itália, e seria um sonho ver os azzurri num torneio organizado pelos EUA. Com quatro títulos, eles têm o ‘pedigree’ para justificar a inclusão”, confirmou o ‘braço direito’ do presidente norte-americano, em declarações prestadas ao jornal Financial Times.
A mesma publicação cita fontes próximas do processo, que garantem que esta proposta não passou de uma tentativa de Donald Trump de remendar as relações com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, na sequência do ‘bate-boca’ público entre ambos, por conta da posição do Papa Leão XIV sobre a guerra no Médio Oriente.
“Acho que ele não está a fazer um bom trabalho. Acho que ele gosta de criminalidade. Não gostamos de um Papa que diga que não há problema em ter armas nucleares”, afirmou o líder máximo norte-americano, em abril, a propósito das intervenções públicas levadas a cabo pelo compatriota sobre este tema.
“Continuarei a manifestar-me abertamente contra a guerra, procurando promover a paz, o diálogo e as relações multilaterais entre os Estados, para encontrar soluções justas para os problemas. Há demasiadas pessoas a sofrer no mundo de hoje. Há demasiadas pessoas inocentes a ser mortas”, respondeu este.
“Considero inaceitáveis as declarações do Presidente Trump a propósito do Santo Padre. O Papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e natural que peça a paz e condene todas as formas de guerra, interveio a transalpina, deixando Donald Trump “chocado”: “Pensei que ela tinha coragem, enganei-me”.
Irão está “totalmente preparado” para disputar o Mundial2026
À margem desta manobra levada a cabo pelos Estados Unidos da América (que irão organizar o Mundial2026, juntamente com o Canadá e o México, entre 11 de junho e 19 de julho), Fatemeh Mohajerani, porta-voz do governo do Irão, garante que o país está “totalmente preparado” para disputar o torneio.
A (curta) intervenção foi feita aos microfones da agência noticiosa estatal IRIB, a menos de dois meses do arranque da prova. O Irão, recorde-se, está inserido no Grupo G, juntamente com Nova Zelândia, Egito e Bélgica, o que significa que irá disputar todos os jogos desta fase inicial em solo norte-americano.
Itália, por seu lado, acabou por ser (surpreendentemente) eliminada na final do playoff europeu, disputado com a Bósnia e Herzegovina, no desempate por grandes penalidades, pelo que irá ficar de fora daquela que é a maior competição de seleções do futebol planetário pela terceira vez consecutiva.
O próprio presidente da FIFA, Gianni Infantino, já tinha assegurado que a participação do país não estava em causa: “É um país de futebol. Queremos que jogue, e vai jogar o Mundial. Não há planos B, C ou D. É o plano A. Vamos unir, juntos, em harmonia e felicidade. É isso que temos de fazer, e vamos fazer”.



